domingo, 27 de maio de 2012

Fossa de almas





E diziam os antigos
“O mundo como o conhecemos já não é o mundo.
A imensidão terrestre já fora palco de seres que honraram sua criação, provando-se fortes.”


Produzir arte e sustentá-la de forma independente em nosso país, é uma tarefa muita vezes ingrata. Entretanto, trazer um sonho à existência através de sua arte, algo que nasceu em sua paisagem mental e que foi sendo gradualmente moldado para ganhar sua forma definitiva fora das sombras da imaginação; e ainda mais, contrariando todos os dissabores e contratempos, não tem preço. Foi isso que os meus parceiros Felipe MorenoHerick Zerunian fizeram. Evocaram ao continuum palpável o primeiro capítulo da HQ independente Fossa de almas, trabalho este que está um primor. O roteiro feito por Herick é instigante e original, remetemdo a tempos idos e de uma nomenclatura lírica e atroz ao mesmo tempo. A parte gráfica, desenhos, bem como a arte final produzida pelo Felipe ficaram fora de série, pujante e de encher os olhos... Em suma, um trabalho terrivelmente belo, por assim dizer...

Sinopse - Extraída do blog Fossa de almas.

"O mundo tem mudado, o homem em sua constante evolução tem enterrado lendas e mitos antigos. A tecnologia e a razão governam, e a raça mortal dos homens prevalece sobre a terra, empurrando as demais raças para a escuridão. Raças essas que antes reinavam e eram veneradas hoje não passam de icones do cinema e material para o entretenimento. Escondidos, permanecem em grupos cada vez mais ocultos aos olhos dos homens e da sociedade moderna. Mas isso tende a mudar, pois o homem aos poucos se enforca em sua própria busca..."


  
A HQ será dividida em duas partes, cada qual com dez capítulos com 30 páginas aproximadamente. Criação será onde a coisa toda começa a se desdobrar. 

Abaixo segue os links para download...

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Apenas a nível de esclarecimento o Cdisplay é um programa
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 Barrok (personagem da HQ)


 Os autores



Baixe a HQ, leia, divulgue e prestigie...







quarta-feira, 25 de abril de 2012

Trilhando através de mundos


  

   Outrora, uma ínfima essência foi lançada da Fonte Suprema para os mundos da Criação... E tal essência deveria percorrer as dez Sefhirots partindo de Atzilut, o mundo das emanações, até Assiáh, o mundo das ações; o nosso mundo propriamente dito. O tempo em que ela foi lançada da Fonte não se sabe, tampouco o tempo que levou para percorrer a senda de cada Sefhiráh. Na verdade, isso não importava, pois ela estava acabando de deixar Ietzirah, o mundo das formações, para se manifestar no nosso mundo e experimentar a última Sefhiráh, Malchut.
   Todavia, no mundo das ações, a essência precisaria passar por um aprendizado para ganhar sua Neshamáh, a alma superior. Precisaria aprender que entre os três mundos anteriores que passou, as ações neste, são manifestas de forma diferente por ser o mundo mais distante da Fonte e que para executar a missão que fora incumbida precisaria se tornar um de nós. Decerto que a Fonte poderia de imediato lhe dar uma matéria e fazer dela um ser proficiente, mas que graça teria nisso, não é? Assim a Fonte escolheu uma grande metrópole, uma avenida movimentada e uma loja renomada; ali, por detrás das vitrines havia dez manequins, uns com feições masculinas e outros com formas femininas. A Entidade optou por um com aparência de homem e o processo miraculoso teve início...

                                                                       
    Uma substância instável e sedimentar começou a se dispor em ordem crescente, maleável, dúctil. Quando a massa se consolidou em uma matéria pastosa e indefinida, uma onda de consciência repentina se dispersou entre recônditos ainda inacabados, caindo após em falésias negras. Texturas lívidas vieram em seguida formando estruturas e recôncavos, possibilitando assim o posterior desempenho das funções primais e complexas do cérebro.     Septos causavam divisões inalteráveis, a psique estava se formando. Contudo, faltavam elementos para formar um conjunto harmonioso e assim, nacos indeléveis de percepções de agruparam como um todo e o contexto extrínseco que chamamos de realidade se estabeleceu. Invariavelmente, informações exteriores foram sugadas por um vórtice mental e divididas tematicamente por faculdades analíticas que as indexavam. Conhecimentos se aglomeravam arquitetando o intelecto. Um pulso repentino de Consciência se alastrou e os funcionamentos inerentes palpitaram. Um segundo pulso e um fluxo intangível desbravou áreas encéfalas com alarido.
    Um terceiro pulso e definitivamente a Consciência rompeu o invólucro da inexistência e com primazia, a noção de realidade foi adicionada a ela. Em seguida veio o aprendizado. Disposto isso, surgiu uma teia de linhas aleatórias e um pensamento nasceu ainda fraco, mas coerente. Tomando uma dessas linhas, o pensamento seguiu um percurso até reverberar destoante em um manifesto de estupor e duvidas: ´´O que sou eu?´´
   Esta indagação gerou o sentimento de individualidade que se concatenou com outros pensamentos lineares forçando um raciocínio. Entrementes, não houve elucidação e a falta de resposta aparente criou mais questionamento e sua cosmovisão interna oscilou. Entretanto, um aparelho auditivo estava se desenvolvendo e ao longe a consciência recebeu de forma vaga, pautas sonoras, escutando sons e ruídos emaranhados difíceis de discernir. Com o tempo transcorrendo, a audição foi se aprimorando trazendo novas perspectivas e a ânsia de conhecer e explorar novas sensações cresceu, juntamente com a curiosidade instigada. Memorizando sons dissonantes e vozes tonitruantes, novas palavras foram se fundindo ao seu vocabulário. Ela escutou uma canção distante e estremeceu, sua primeira emoção surgiu. Súbito, ela começou a contemplar formas incertas e mosaicas, desfocadas e borradas com amarantos negros. Inundada por este vislumbre fracional, a consciência desejou ver mais, então, um novo clarão refulgiu piscando até a imagem se estabelecer finalmente. Contudo, embaçada e mesmerizada. E assim, observando os borrões se esvaecerem nas extremidades, as bordas começaram a se limpar e o centro, onde a visão era mais precária, começou a se desdobrar como losangos de origames em movimentos circulares. Os fatores visíveis iam entrando em foco gradativamente...
  Quando as tonalidades vieram em explosões multicoloridas, a fascinação sobreveio mesclando novas emoções a sentimentos já concebidos. Uma sorção contínua de regozijo se esparramou por entre os sentidos e o deslumbre alcançou o clímax quando a consciência contemplou o mundo através do vidro da vitrine. Foi esse o momento que ela se lembrou quem era e o que viera fazer em Assiáh.


*Extraído do meu livro "O cabalista".

terça-feira, 20 de março de 2012

Espíritos Malignos



Conhecidos como Shedim, Seirim, Lilith, Tsim, Lim, Demônios e outras séries de infindáveis pronomes, os espíritos malignos são de origem desconhecida por datar de um tempo anterior ao homem. Estas entidades demoníacas obedecem um ser superior outrora denominado Lúcifer. Diante disso, podemos facilmente inferir que são eles os anjos que caíram juntamente com Lúcifer durante a rebelião no Céu. Mas tal teoria tem lá suas discrepâncias, pois os anjos caídos possuem uma substância espiritual mais pujante que podemos chamar de corpo, ao passo que os Demônios não possuem uma estrutura espiritual (um corpo espiritual, se preferir), daí a necessidade e propensão que sentem para possuir um corpo material, de humanos e até animais, conforme descrito no texto sacro abaixo...

“E navegaram para a terra dos gadarenos, que está defronte da Galiléia. E, quando desceu para a terra, saiu-lhe ao encontro, vindo da cidade, um homem que desde muito tempo estava possesso de Demônios, e não andava vestido, nem habitava em qualquer casa, mas nos sepulcros. E, quando viu a Jesus, prostrou-se diante dele, exclamando, e dizendo com grande voz: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Peço-te que não me atormentes. Porque tinha ordenado ao espírito imundo que saísse daquele homem; pois já havia muito tempo que o arrebatava. E guardavam-no preso com grilhões e cadeias; mas quebrando as prisões, era impelido pelo demônio para os desertos. E perguntou-lhe Jesus, dizendo: Qual é o teu nome? E ele disse: Legião; porque tinha entrado nele muitos Demônios. E rogavam-lhe que os não mandasse para o Abismo. E andava ali pastando no monte uma vara de muitos porcos; e rogaram-lhe que lhes concedesse entrar neles; e concedeu-lho. E, tendo saído os Demônios do homem, entraram nos porcos, e a manada precipitou-se de um despenhadeiro no lago, e afogou-se.” Evangelho de São Lucas Capítulo 8 verso 26 ao 33.

Lendo o texto acima, fica evidente a necessidade de possessão deles para tentar sanar a falta de “ser” corpóreo, não descartando para isso nem os animais. Também fica claro que eles tem alguma relação com o Abismo (Abaddon) devido ao temor que apresentaram no verso 31.

Mas afinal, o que são, de fato, os Demônios? Vamos adiante para tentar descobrir...

Uma raça pré-adâmica

Em uma linha de estudo que chamo de Teologia Profunda, diz que antes da Criação como a conhecemos (esta), houve uma outra criação, muito anterior a nossa. Ela é chamada de pré-adâmica por ter sido criada antes do primeiro homem, Adâo. Para melhor compreensão ouça O relato da Criação, se quiser. Lúcifer foi colocado como mentor e príncipe dessa Criação, mas acabou envolvendo ela em sua rebelião contra Deus. Nessa Criação, pode se encaixar os grandes períodos geológicos e também o advento dos dinossauros, a nós apresentados em provas fósseis irrefutáveis. Esta criação, no que se refere a um ser dotado de inteligência e personalidade, possivelmente homúnculos ou humanoides, poderiam muito bem ser o Homem de Neanderthal, Herectus, Habilis ou algo ainda mais anterior. Qualquer prova fóssil disso, como por exemplo, os restos do Homem Da Lagoa Santa, reforça ainda mais tal conjectura.

A primeira Criação extinta

Inferindo que uma Criação anterior a essa realmente existiu em carne, qual foi o evento que levou Deus a extingui-la? Bem, é notória a influência que Lúcifer exercia sobre a Criação em questão visto que era o Príncipe deles, e ainda permanece com este título conforme dito no evangelho de João Cap. 14 verso 30. E reitero que é impossível Lúcifer ter recebido de Deus a honra e título de príncipe em nossa Criação, já caído, denominado Satanás e opositor de Deus, isso aconteceu antes, na Criação Original. Então, assumindo que ele era o Príncipe e mentor espiritual da Criação Original, fica claro que ele persuadiu os habitantes do mundo nessa era a se voltarem contra o Criador, tornando-os em cegos seguidores de sua vontade e demanda.

A rebelião contra Deus, por ter sido levada até as últimas consequências, atiçou a ira divina e por conta dela toda a Criação Original pagou o preço, incluindo, é claro, as pessoas que habitavam a terra naquela era. Por seguir o Querubim Ungido também tiveram seu quinhão.

Aqui chegamos, enfim, ao x da questão...

De qual maneira se deu a exterminação da Criação Original, é difícil sequer supor, quanto mais provar a priori. Entretanto, a raça pré-adâmica foi debelada e como o inferno e as grandes prisões espirituais e dimensões paralelas só vieram existir após muito tempo depois da queda dos anjos, inferimos que os espíritos da raça pré-adâmica se tornaram naquilo que hoje conhecemos como Demônios. E isso explica o porque de até hoje seguirem seu Príncipe. Não é totalmente impossível que imediatamente ou posteriormente a queda dos anjos e rechaço da humanidade Original, por assim dizer, Deus tenha criado Abaddon, o Abismo, a mais negra das prisões espirituais e trancafiado lá algumas miríades de anjos caídos e demônios, por não achar conveniente deixa-los livres, depois de todo esse desatino universal. Diferente do inferno, que é uma prisão temporária para as almas de humanos da nossa criação, o Abismo é uma prisão para alguns anjos pecaminosos (principalmente aqueles mencionados na epístola de Judas) e demônios. E será a última morada deles antes do juízo e irrevogável sentença que os aguarda no porvir...

*Importante salientar que a maioria das questões aqui levantadas segue uma linha de estudo, pressupondo os acontecimentos. Podem ter realmente acontecido ou não... 



quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

3 Cruzes


Empolgado com o retorno da banda de Punk Rock 3 Cruzes, onde sou vocalista, guitarra base e compositor; decidi escrever este post traçando (uma breve e cheia de cortes) linha do tempo com a nossa trajetória...
O desejo de formar uma banda era antigo e já enraizado em minha adolescência, entretanto, a coisa só começou a andar em 2000, quando, depois de várias conversas com Thiago Botelho sobre músicas, bandas e blablabla; decidimos formar a nossa juntamente com um amigo de infância meu. O nome era Membrana Mucosa, em alusão a banda homônima que o personagem John constantine tinha em sua juventude. Tocaríamos inicialmente covers, mas nunca chegamos a nos apresentar em público (sequer ensaiamos)...


Dois anos depois, após escrever duas dezenas de composições, nós criamos a Conclamação. Nesse ponto, começamos a ter novas perspectivas, pois começamos a fazer shows regularmente adquirindo assim experiência e presença de palco. A conclamação seguiu assim até 2004, quando, por um motivo que não me lembro, acabou...


Contudo, no mesmo ano, formamos a Ex Toto Corde onde conseguimos fazer um som ainda melhor; decorrente isso, conquistamos mais fãs e garantimos apresentações em diversos lugares. Nossa notoriedade cresceu ainda mais com composições que falavam de crise existêncial, abandono, rejeição e esperança.
A Ex Toto Corde durou até o início de 2006 que quando acabou devido a uma confusão interna.
Ressabiado, decidi não mais integrar uma banda até que Fellipe Levi, que também participou da Conclamação e Ex Toto Corde, conseguiu me dobrar convencendo-me a voltar a tocar e cantar e ali nasceu mais uma banda, a Impacto Crucial, mas outros dissabores fizeram com que desistissemos.


No final de 2006 eu já contava com quase 100 composições, procurei Thiago e formamos a 3 Cruzes. No princípio de 2007, começamos a ensaiar novas músicas e mudamos um pouco nosso estilo musical. Nossos antigos fãs, aqueles que curtiam as bandas anteriores aprovaram o som. Após gravar as músicas no estudio e ver a aceitação de quem ainda não tinha escutado, uma vez mais sentimos o gosto do reconhecimento e notoriedade. De todos esse anos em que estivemos trabalhando com a música, 2007 foi o melhor, mais saudoso e recompensador; fazíamos shows com uma frequência maior, festivais, bares e praças, criando importantes conexões com bandas, músicos, pessoas e fãs.


Em 2008 a banda encostou e meses depois acabou silenciosamente no descaso formado por conta de nossas responsabilidades diárias...
Recentemente, depois de muito confabular com Thiago, Daniel e Joffson; decidimos voltar. Não sabemos até quando vai durar, mas sabemos que vai ser muito divertido poder tocar juntos novamente.



segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

O conceito de Ein Sof


Uma das doutrinas mais intrigantes da Cabala, é sem dúvida, o conceito de Ein Sof. Que segundo a mesma seria o verdadeiro Deus por trás de toda a Criação; a fonte e força motora que a tudo impulsiona e sustém. Uma divindade acima da divindade que conhecemos como Elohim; o Deus dos judeus e cristãos.

A Midrash afirma que quando Deus Criou o Cosmos, utilizou-se de 10 aspectos de sí mesmo chamados de Sephirot. Esse aspecto arcano (misterioso) e incompreênsível de Deus é conhecido como Ein Sof; um ser auto-suficiente que não pode nem no mais longinquo dos sonhos ser limitado pela própria existência, condição essa ao qual estamos subordinados.

Nesse ponto torna-se inevitável o choque de tal doutrina com a concepção comum que temos acerca de Deus, pois seria esse estado incompreênsível de Deus que concatenou a idéia de criar um mundo. Para isso, Ein sof teria removido uma parte de sí mesmo para criar o espaço que a Criação haveria de ocupar. Uma espécie de ponto de escuridão ou lacuna vacante dentro de sua própria luz. Esse espaço negro é denominado Tzimtzum.

Disposto isso, as Sephirot, que seriam as emanações de Deus (Ein Sof) ajudaram na criação do universo. Pois segundo a Cabala Ein Sof é um princípio que permanece não manifestado e é incompreênsível a razão humana, por isso, foram esses aspectos da divindade que se envolverama com a Criação em sí.

Para o Zohar Deus é Ein sof, o princípio fundamental, imaterial e irreconhecível para os humanos. Foi Ein sof quem teria criado Elohim e foi Elohim quem criou os céus e a terra, como descrito na Bíblia; o que nos leva a inferir que Elohim, o Deus de nosso universo, é o amálgama das 10 Sephirot, os aspectos de Ein Sof que criaram o universo...

Agora vamos um pouco mais além, a fim de buscar algumas informações na filosofia gnóstica. Comecemos por outro conceito, o do Demiurgo. Tal entidade é representada como a síntese do mal, mas também meramente inperfeito e benevolente quando lhe apraz. Para o gnosticismo existem dois deuses; um bom e o outro mal. E o mundo teria sido criado pelo deus mal, um Deus menor que se chama Demiurgo; este, segundo essa teoria, seria o Deus bíblico.

O termo "Ein Sof" não diz respeito a uma designação para o Deus que criou um outro Deus que criou o universo, mas sim uma definição de seu esplendor. Desse esplendor partiram as 10 Sephirot, variações que representam as características de Ein Sof e não o mesmo. As Sephirot vieram a se tornar emanações do Espírito de Deus e a Cabala interpreta o Deus da Bíblia (o bom Deus dos hebreus) como um "subordinado", aquele que fez todo o trabalho da Criação...

Tema instigante com uma abordagem interessante, devo afirmar. Mas perigoso para nossas crenças estabelecidas no decorrer de uma vida inteira...

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Casuais ironias


Outrora, uma borboleta repousava sobre o galho de uma árvore. E neste mesmo galho passava uma lagartixa.
Então, a borboleta disse...
---Ei, ser ignóbil e rastejante. não vê que atrapalha o meu descanso. Vai-te daqui. Favoreça-me com sua ausência
E a lagartixa passou o mais rápido que pode...
---É, sobremodo, muito lerdo. Deixarei este lugar e voarei para outro, onde sua presença repulsiva não possa me incomodar... E voou.
A lagartixa suspirou e disse: "Quão pobre miserável sou eu...". E adormeceu.
Um casulo foi se fornando em torno dela até se tornar totalmente em um invólucro. Se passaram alguns dias...
Quando ela rompeu a estrutura que a revolvia, ressurgiu como uma das mais belas borboletas.
E voou, estupefata com a metamorfose. Sobrevoou os campos e planícies. Sobre o bosque. Sobre o vale.
Até que em algum dia ela encontrou, agonizando em uma poça de lama, a borbleta que a humilhou.
---O que lhe aconteceu? Perguntou ela.
---Estava contemplando minha beleza refletida no rio, quando imóvel em meu estupor, não notei que uma garça havia se aproximado. Ela me atacou, mas consegui fugir. Porém, os ferimentos foram letais... Disse, aos espasmos, a moribunda.
---Você foi capturada em sua própria soberba. Eu fui a lagartixa que dias atráz humilhara, lembra-te? Agora sou como você, mas vivo...
E voou dali, desejando poder ter feito alguma coisa para salvá-la.